O
Mercado Público Municipal de Florianópolis é um centro de comércio e edifício público histórico de
Florianópolis, capital do estado de
Santa Catarina,
Brasil. O prédio é composto de duas alas – norte e sul – separadas por um vão central. No local acontece um variado comércio, principalmente de
vestuário,
alimentos, utensílios diversos e
artesanato. Além disso, é um importante ponto de encontro e
lazer da cidade, tanto para moradores quanto para turistas.
História
O Mercado Público era o local onde os pequenos comerciantes da
ilha de Santa Catarina, e litoral próximo (
São José da Terra Firme e
São Miguel da Terra Firme), vendiam peixe, carne de sol, feijão, arroz, mandioca, hortaliças,
drogas do sertão, comidas preparadas na hora, dentre outros produtos.
As pessoas que vendiam produtos eram em sua maioria
escravos de ganho,
forros e brancos pobres. Os principais frequentadores do comércio eram escravos, forros, marinheiros, militares, viajantes e a população local, em geral.
Em 1838, o governo da província autorizou a construção de uma Praça de Mercado, que deveria ficar entre as ruas Livramento e Ouvidor, em um local de terreno de marinha, fora do
Largo da Matriz.
Dois grupos políticos locais entraram em disputa pela escolha do local que o Mercado Público deveria ser construído. Por um lado, os grandes comerciantes locais queriam que as barracas continuassem no Largo da Matriz. O motivo era que a localização das barracas e quitandas atraia clientes para suas lojas, que ficavam na rua do comércio, atual
Conselheiro Mafra. A maioria destes grandes comerciantes tinhas familiares em todas as
irmandades religiosas encontradas na
Ilha de Santa Catarina.
O outro grupo político era formado por pessoas que moravam em outros lugares da Ilha, de outras províncias, ou mesmo de outros países. Muitos pertenciam a
loja maçônica Concordia, e a
Sociedade Patriótica, ambas fundadas por
Jerônimo Coelho em
Desterro. Estes desejavam instalar as barracas e quitandas fora do perímetro urbano, próximo a ponto do vinagre.
Em 1845, a visita de
Dom Pedro II e do
Bispo do Rio de Janeiro levou a
Câmara de Desterro a aprovar a mudança de lugar das barracas e quitandas. O centro urbano foi higienizado, e as barraquinhas foram removidas para as proximidades do Largo Santa Bárbara, junto à Ponte do Vinagre, fora do perímetro urbano.
Os grandes comerciantes desejavam que as barracas e quitandas voltassem para o Largo da Matriz, enquanto os
maçônicos e a
Sociedade Patriótica desejavam que continuassem perto da ponte do vinagre.
Esta disputa, por fim, deu origem ao
Partido Conservador catarinense, dos grandes comerciantes locais, e o
Partido Liberal catarinense, que pertencia principalmente aos maçonicos e aos grupos associados na Sociedade Patriótica.
Por fim, o primeiro prédio do Mercado Público foi construído em 1851, situava-se ao sul do Largo da Matriz,, junto ao mar. Em
5 de fevereiro de
1899, o prédio foi transferido para a localização atual, na época também à beira-mar, possuindo apenas uma ala.
A segunda ala só veio a ser entregue em
24 de janeiro de
1931, construída sobre um
aterro, assim como as pontes de ligação e o vão central. O conjunto arquitetônico tem a sua configuração atual desde
1932, com a reinauguração da primeira ala. Atualmente, devido à construção de uma grande aterro na
Baía Sul, o edifício encontra-se longe do mar.